NÃO HÁ MAL QUE SEMPRE DURE

Tudo. Tudo, tudo sempre diferente! Assim é a impermanência, que faz com que a vida tenha vida e a esperança amenize a dor.

Tudo em mudança num universo onde há dia e noite, onde anos se sucedem e onde, por impulso, o homem se submete à inquietude buscando sempre um lugar para permanecer, sem nunca encontrar.

Não importa que o novo seja bom ou mau, porque a ciência tudo justifica. Ciência que de um lado consegue instrumentos para alongar a vida e de outro a destrói – pelo menos em qualidade.

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A mudança, fenômeno que sempre fez parte da existência humana, nos tempos recentes mudou drasticamente sua velocidade e tornou-se marca da modernidade. Seu acelerador foi a tecnologia da informação que surgiu há 50 anos e nos últimos vinte atuou com muita intensidade aumentando de forma exponencial as transformações, sem nenhuma preocupação com a preservação de valores, com a saúde física e mental do ser humano, com o destino do planeta e das futuras gerações.

O ritmo veloz com que passamos a buscar o novo, criou uma demanda desenfreada de tudo por todos, os espaços se reduziram e a competição passou a definir a rotina, o comportamento e até o destino das pessoas. Surgiu o estresse que suga energias e impede o gozo do que é conquistado, produzindo doenças que sequer imaginamos.

A competição destruiu a confiança e fatores econômicos tornaram-se o elo das relações. Profissões antes menos demandadas assumiram importância inimaginável: advocacia, psicologia, psicoterapia e, obviamente, a tecnologia da informação.

Perdemos a noção de futuro, tantas são as coisas que se criam em curtíssimo espaço de tempo. Só sabemos que por efeito da impermanência, em algum momento vamos mudar de rumo, vamos abandonar a tecnologia da informação ou, pelo menos, reduzir sua importância para voltarmos à nossa essência.

Não vamos suportar por muito tempo essa tendência de viver virtualmente porque somos reais e vamos ter sabedoria para apenas usar o que o mundo virtual traz efetivamente de benefício às nossas vidas. Vamos preservar a facilidade dos serviços, mas não vamos mais abrir mão da convivência social, da pessoalidade. É óbvio que o e-commerce não tem retorno, só haverá de se expandir e por conta disso os shoppings se transformarão em grandes centros de lazer.

Não há como caminhar para o infinito. As saias sobem e depois descem, ficam rodadas e depois justas.

Estejam certos que pássaros livres voltarão a cantar, que cadeiras na calçada voltarão a juntar vizinhos e amigos para nada fazer, apenas para apreciar o silêncio, apreciar o luar ou ouvir histórias simples, mas contadas por gente que a gente vê e pode tocar.

Estejam certos que assim será porque tudo ocorre em ciclos, alguns de pouca, outros de muita velocidade, ciclos que vão se diferenciando lentamente produzindo mudanças evolutivas, as verdadeiras mudanças, que desconhecemos porque ocorrem num tempo sempre superior a uma geração.

Tudo, tudo, tudo sempre diferente. Uma realidade que nos assombra e nos alenta. Nada será para sempre maravilhoso e nada será para sempre triste. Medo e esperança convivendo em absoluta harmonia, num equilíbrio responsável pela grande beleza da vida.

 

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4 comentários sobre “NÃO HÁ MAL QUE SEMPRE DURE

  1. Bonito texto, mas diante da desilusão que vivemos com o tipo de vida que temos me faz vê-lo um pouco utópico, mas crer num futuro melhor faz parte , não é mesmo?

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