ESTÁ FALTANDO MULHER NO MINISTÉRIO DO NOVO GOVERNO

Será que é por ciúmes da bela, recatada e do lar? Claro que não, apenas uma brincadeira para descontrair, de início, a discussão de um tema da maior importância.

Esse novo governo precisa dar certo, independentemente de ideologias, apenas pela necessidade de sobrevivência de uma nação. Mas ele começa pecando pela falta de diversidade de gênero e de raça.

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Parece até que as ausências de mulheres e de negros no ministério é um revide ao governo que saiu porque a sua diversidade foi seguramente o seu maior avanço social, maior, inclusive, do que os louváveis atos para erradicação da miséria que acabaram reduzidos por um populismo desenfreado.

A sociedade tem obrigação de apoiar de todas as formas esse novo governo para não chegarmos a um estado de caos, impossível de reverter. O resto, depois se discute.

Mas é preciso também que a sociedade afirme e reafirme esse retrocesso para que a salvação do país, que apoiaremos de todas as formas, não seja atribuída à opção por um governo conduzido só por homens e por brancos.

O êxito terá que ser alcançado e exaltado, mas sempre com a ressalva de que ocorreu apesar desse grave engano.

Espero que a composição do ministério seja um equívoco não intencional, resultado da pressa com que foi montado e que logo seja corrigido, porque a árdua missão do governo exige apoio da sociedade e esse apoio só virá se toda ela se sentir representada, mesmo que os “homens brancos” façam o que tem que ser feito no tempo certo.

J. Pose

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DISCRIMINAÇÃO EM GOVERNO DE MULHER?

Tenho uma amiga advogada, sócia de uma construtora, grávida, estressada por conta do zika vírus e que ficou mais estressada ainda esta semana. Há cerca de dois dias me ligou revoltada gritando: – nesse país não dá! Tem ministério para cuidar das mulheres, um monte de pataquadas só para gastar o dinheiro público e o próprio governo discrimina? E não parava de gritar: – o próprio governo discriminando amiga! E de forma sutil, torpe, indutiva. Prosseguiu: – só temos burocracia, não temos convicções, estamos viciados na mentira e no ilusionismo. Por fim, num último desabafo: – e isso com uma mulher na presidência da república que faz questão de ser chamada de “Presidenta”.

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Quando ela parou para respirar tive chance de fazer a pergunta inevitável: mas o que aconteceu? E aí mais calma, me contou a história. Ela comprou um edital de concorrência de uma empresa estatal e quando começou analisá-lo se confrontou com a seguinte aberração: uma orientação para na formulação de preços aplicar encargos sociais de 106% para salários de homens e 142% para salários de mulheres, ou seja, uma declaração explícita de que a contratação de mulheres é mais onerosa do que a de homens. Imediatamente questionou a comissão de licitação do porque do critério e teve como resposta que mulher engravida, tem horário reduzido para amamentação, muitas faltas e descumprimentos de horários por indisposições de menstruação e cuidados com saúde e escolaridade dos filhos. Entrou com um recurso administrativo e não sendo ele acatado, desistiu da concorrência. Agora vai pensar no que fazer e como a conheço bem, seguramente vai tentar anular a concorrência e processar a empresa.

Depois de relatar o fato, comentou: por que não mandam aplicar um fator de produtividade e competência fazendo justiça e reconhecendo a maior contribuição das mulheres? Mulher é mais intuitiva, mais disciplinada, atenta, detalhista, determinada, comprometida e até mais corajosa, sempre disposta a enfrentar desafios e situações adversas. Prefiro mulheres na área de planejamento e até na execução de minhas obras dirigindo operários. Elas lideram melhor, têm uma autoridade natural e legítima, não são agressivas e conseguem muito mais resultados de seus liderados.

Por fatos como esse é que vivo repetindo, caras leitoras, que a guerra não acabou, que é preciso estarmos atentas aos detalhes e reagirmos com firmeza. Quando tiver notícia das ações e do que minha amiga conseguiu as informarei.

O PERIGO DA PERVERSA ORATÓRIA

Será que só eu estou envergonhado? Será que só eu me sinto humilhado com as desculpas pueris apresentadas para desmentir crimes evidenciados pela boa lógica e provados através de circunstancias irrefutáveis?

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Isso me incomoda de tal forma que perco horas criando hipóteses para saciar minha curiosidade, mas até hoje tudo que formulei não me convenceu por completo. Numa das muitas divagações voltei à minha infância, que não deve ter sido muito diferente da infância de todas as outras crianças, e me lembrei de minhas inocentes mentirinhas. Quantas vezes fui pego por minha mãe roubando os doces preparados para meu aniversário e jurei para ela que só estava vendo se eles eram de enfeite ou de verdade?

Lembro de mentiras como essa e fico certo de que elas eram menos primárias do que todas as que são produzidas pelos políticos que aí estão, eleitos pela sociedade brasileira para cuidar de seu destino.

Mães acham graça e aceitam as mentirinhas dos filhos porque não são maldosas, são inconsequentes, movidas apenas pelo medo. Mas os políticos não. São adultos conscientes e suas mentiras são capazes de destruir o presente e o futuro de toda uma nação. E por que não reagimos?

Ontem, obtive a resposta. Ouvi o discurso do Senhor Luis Inácio depois de seu depoimento na polícia federal e quase fui por ele convencido de que é o cidadão mais probo de toda nossa história republicana.

Ouvindo seu discurso descobri a imensa capacidade que os políticos têm de tergiversar, de manipular, de esconder fatos que os comprometem e seduzir o povo com o discurso que ele entende e com feitos e promessas que o sensibiliza.

Eis o segredo. Poucos, muito poucos preservam suas convicções depois de um discurso desses e esses poucos se desmobilizam certos de que estão isolados, que a grande maioria engoliu e aplaudiu o discurso de palanque do ex-presidente.

A oratória de um populista é arma de poder incalculável. Desmontar o discurso de um populista é tarefa difícil, mesmo quando ele contraria fatos circunstanciais que só não convencem idiotas que beiram a demência.

Nesse momento estou certo de que nosso destino depende da capacidade das convicções do Paraná contaminarem nossa sociedade, caso contem com um forte apoio de nossos meios de comunicação.

Estou esperançoso. É possível que estejamos na eminência de fecharmos um ciclo de nossa história e começarmos outro, com novos princípios e valores. A delação de Delcidio parece que não poupa ninguém: nem governo, nem oposição. Soube também que Marcelo Odebrecht autorizou a delação de seus executivos e ele, que certamente será o último a delatar para resguardar sua posição de líder, não poupará ninguém.

É ridículo alguém imaginar que exista um único político no país que esteja fora do sistema corrupto que se tornou uma instituição. Eu, vivendo política há 50 anos só conheci um, o grande (em integridade e 1,84 de altura), o eminente Carlos Santana, por sinal baiano, secretário de educação do estado, deputado federal por três mandatos e, por fim, chefe da casa civil de Sarney. Mas como ser íntegro sendo chefe da casa civil de Sarney? Tentando reduzir danos. Essa é a única explicação. Eu que sempre estive perto dele atesto. Ajudei-o com recursos numa eleição e ele não sossegou enquanto não me pagou tudo em dez parcelas.

Por fim, registro que sou grato ao PT por abusar da corrupção que sempre foi uma instituição no nosso meio político, mas nunca praticada com tamanha violência e destemor. Só um abuso do tamanho desse que o PT praticou e a total destruição de nossa economia poderia criar uma ruptura num sistema atávico e criar esperança de construirmos um novo país com novos e melhores princípios morais e éticos.

J. Pose

TRAÇOS CULTURAIS DE NOSSA COLONIZAÇÃO

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As projeções em relação ao futuro da economia brasileira não param de piorar. Você, cara leitora, que já ficou 3,8% mais pobre no ano passado, por enquanto, vai empobrecer mais 3,5% este ano, porque esse é o tamanho da recessão projetada pelos economistas internacionais para o nosso 2016. E se pensa que em 2017 as coisas vão mudar, esta enganada, porque a previsão é de estagnação e as projeções só tendem a piorar. Não há nenhum fato novo que alimente a esperança de uma mudança nos rumos do país, por isso, tudo que é projetado é especulativo e na minha opinião, ainda de forma otimista, com receio de retratar nossa verdadeira realidade. Até hoje só vi projeções otimistas. A bonança esperada vem sempre em tamanho menor e a desgraça em tamanho maior.

Nosso problema é tão grande que vamos impactar negativamente a economia mundial. E por aqui continuamos tranquilos, deitados eternamente em berço esplêndido como diz nosso hino. Maldita frase. Tínhamos é que estar eternamente de pé, laborando para conquistarmos o que sempre achamos que é de nosso direito porque nos achamos privilegiados por Deus.

Perdemos o medo da inflação que no ano passado bateu na casa dos dois dígitos e esse ano poderemos ver repetida a façanha. Eu lhes confesso que estou morrendo de medo. Não por conta da recessão e da inflação, mas por conta do anestesiamento que tomou conta do país.

Morrer ninguém quer e acho que a morte não é tão trágica como se imagina desde que não seja torturante. Difícil é morrer aos poucos por doses diárias de veneno, sem capacidade de reação e com muita dor. Isso eu não quero, mas acho que é isso que já estou vivendo, apesar de não querer estar certo na minha percepção.

As lideranças… onde estão nossas lideranças? Chegamos onde estamos pelas mãos de líderes estudantis, heróis há 40 anos atrás e que arrastaram multidões para as ruas com o discurso de um Brasil novo e melhor. Chegamos onde estamos pelas mãos de lideranças operárias que há 30 anos atrás convenceram seus pares nas portas das fábricas de que conseguiriam fazer do Brasil um país justo e próspero.

Essas nossas lideranças do passado se uniram e hoje uma parte está na cadeia e outra tentando convencer a sociedade de sua cegueira e surdez porque afirmam que mesmo no topo da pirâmide tudo aconteceu sem que nada vissem ou ouvissem.

A piada virou verdade. Dávamos gargalhadas quando nos diziam que Deus era justo porque criou o Brasil com um imenso território, grandes riquezas naturais e um clima extraordinário, “onde se plantando tudo dá” como dizia Pero Vaz em suas cartas ao rei. Não temos terremoto, ciclones, vulcões, tsunamis, aqui tudo é perfeito. Por isso na sua suprema justiça Deus povoou o Brasil com essa nossa gente “eternamente deitada em berço esplêndido”.

E não se diga que somos jovens e por isso imaturos, porque EUA, Canadá e Austrália também são jovens e têm riqueza e qualidade de vida infinitamente superior à nossa. Nosso problema é cultural e fruto de nossas origens. Devemos tudo à uma terrível colonização feita por degredados (bandidos presos nas cadeias portuguesas) que para cá vieram para praticas de exploração. Por sorte, fomos abençoados com correntes migratórias japonesas, italianas e alemães, anos depois, que nos deram um pouco do que temos hoje de bom. Mas a genética de nossos colonizadores ainda está muito presente na nossa sociedade, acomodada e passiva que está aceitando sem nenhuma reação a degradação do país.

Ou reagimos, acordamos, conscientizamos, educamos, ou vamos nos tornar uma Venezuela com inflação que não tem nem mais medida, falta de alimentos e remédios nas prateleiras e com perspectivas de aprofundamento de uma crise que vai destruir o país.

PRECISAMOS DE UM ESTADISTA, NÃO DE UM POPULISTA

Estadista é um líder de muita sabedoria que possui a arte de governar sem limitações partidárias tendo como único compromisso a justiça social e a melhoria da qualidade de vida de todos cidadãos.

O verdadeiro estadista é pessoa de muitas virtudes. Dentre elas, destaca-se sua preocupação maior de produzir um caráter moral nos seus concidadãos, criando uma disposição para a prática de ações virtuosas. Ele entende que isso é princípio fundamental e absolutamente necessário à criação de um campo fértil para realizar suas melhores propostas.

É um autêntico artista. adaptável às circunstâncias e que harmoniza seu próprio comportamento à exigência dos tempos. Pode até ter defeitos, mas o único que não pode ter é o da corrupção de forma ativa ou passiva, pois isso faz com que perca todas suas virtudes diante do conjunto dos cidadãos.

Normalmente é incompreendido pois preocupa-se com o longo prazo e toma decisões impopulares a curto prazo, enquanto a maioria dos políticos preocupa-se com resultados imediatos de suas ações. Diz-se que o estadista se preocupa com a próxima geração e o político com a próxima eleição.

Outros dizem que o estadista pratica a política da colmeia, ao passo que os “políticos” praticam a política da abelha. Para o estadista tudo se subordina ao interesse coletivo. Para os políticos tudo se subordina ao interesse individual.

Enfim, o estadista sabe unir interesses contrários sempre com a perspectiva de fazer do Estado um instrumento a serviço da Nação. Não trabalha pelo sucesso eventual do seu governo, mas pelas necessidades futuras do seu país criando as bases desse futuro. Não tem preocupação em se manter no poder e só faz o que acha que é preciso para que o seu país melhore, nunca se abatendo com críticas pontuais. É uma figura raríssima no meio político e no mundo. Pode-se contar nos dedos os verdadeiros estadistas.

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Já o populista é aquele governante que chega ao poder e nele se sustenta usando uma bandeira de oposição às elites e de proteção às pessoas comuns, sobretudo, as pertencentes às camadas menos privilegiadas da população. São características do populista a atitude paternalista, o nacionalismo exacerbado, o estatismo, a demagogia e a liderança carismática, por vezes, messiânica. Geralmente o populista combina elementos políticos de todas as tendências convencendo a todos com um discurso que contesta os interesses econômicos das grandes corporações e das elites econômicas. Também tem pouco apreço pelos valores republicanos e pela democracia. Lamentavelmente, os maiores exemplos de regimes populistas estão na América Latina onde há democracia e governantes eleitos por populações com baixo nível de informação e consciência política. A postura assistencialista e paternalista dos governantes populistas é irresistível para as sociedades pouco politizadas.

Os populistas podem ser de esquerda ou de direita porque o fascínio pelo líder carismático está à margem das ideologias. Os populistas são simplesmente populistas, indivíduos que alimentam o povo com uma enganosa ilusão de futuro melhor, sempre adiado, mascaram os desastres, reprimem o exame objetivo de suas ações, submetem, corrompem e degradam o espírito público.

Populistas devastam e destroem o futuro porque sobrevivem do presente. Estadistas constroem o futuro mesmo que para tal seja preciso algum sacrifico no presente.

Precisamos escolher.