AMAMOS CHANEL

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Como não amar quem nos libertou? Chanel nos libertou das faixas e cintas, dos corpetes apertados, das saias amplas de múltiplos babados e franzidos, do fim do século 19 e começo do século 20.

Em 1916, ela introduziu na alta-costura o jérsei de malha, os trajes de tecidos xadrez e a moda escocesa, com blusas de malha fina. Calças boca-de-sino, as jaquetas curtas e os casacos cruzados na frente e acinturados em estilo militar.

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Para a noite, Chanel criou vestidos em negro metálico, vermelho escarlate ou bege. Laços e paetês eram os únicos enfeites e não impediam que as mulheres se movimentassem com rapidez, ágeis como pedia a estética de um século onde tudo se tornava automatizado.

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Ao nos libertar do corpete, Chanel nos libertou da obrigação social de servir apenas como objeto de enfeite. Ela nos libertou da futilidade. Ela libertou nossos movimentos e nos tornamos rápidas e fortes como os homens. Chanel libertou a mulher da obrigação de ser sexy.

Permitiu que nos vestíssemos como pessoas sóbrias e nos deu dignidade. Inventou o “preto básico” e fez do simples, referência de gosto refinado. A partir de Chanel, usar corpetes tornou-se retrógrado, não apenas pela peça em si, mas por tudo que a ela estava associado.

Chanel foi importante porque descobriu que moda e convenções não podem escravizar e engessar progressos. Sejam eles universais ou particulares. Sei que enxergar o que nos aprisiona é tarefa difícil, ser uma, ao invés de mais uma, é mais difícil ainda. Mas não tão difícil se você priorizar a saúde à estética e se você abominar as ditaduras, sejam elas de qualquer espécie. Lembre-se sempre: não há beleza que valha a pena qualquer sacrifício.

Hoje, ainda há quem use corpetes porque quer ter curvas. Tudo bem, é opção, é desconhecimento de que somos belas e desejáveis em qualquer forma e biotipo, independentemente do que dizem as passarelas.

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O que Chanel começou no século 20, nós não demos conta de continuar. Com sua quebra de paradigma, provavelmente não intentava substituir uma prisão por outra, mas dar início a uma série de mudanças capazes de transformar o pensamento de todo o mundo.

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Enquanto fizermos loucuras pela beleza, criarmos manuais, diminuirmos nossas cinturas, nos esforçarmos para entrar em corpetes, estaremos sempre super produzidas para o passado, quando o certo é estarmos conectadas com os valores do presente e do futuro.

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CINCO CRIAÇÕES QUE REVOLUCIONARAM A MODA

Yves Saint Laurent, Coco Chanel e Mary Quant são nomes que cravaram sua importância na história da moda com criações que revolucionaram a forma de vestir. E se você pode sair na rua usando calças ou minissaias tranquilamente, agradeça a eles. Entre tantas fases, a evolução da indumentária teve seus momentos de glória e, por isso, reunimos abaixo as principais revoluções fashion de todos os tempos. Confira!

Biquíni

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Ele foi a primeira peça de roupa feminina confeccionada com menos de um metro de tecido. Seu lançamento foi tão explosivo quanto a bomba atômica testada pelos Estados Unidos no Atol de Bikini em 1946, o que acabou dando nome ao traje de banho. Alguns dias após o episódio, o francês Jacques Heim elaborou o “atome”, apresentando-o como “o menor maiô do mundo”. Mas ele bobeou e esqueceu-se de registrar a invenção – abrindo espaço para que outro francês, Louis Réard, surgisse com o “bikini, menor que o menor maiô do mundo” e levasse toda a fama de criador do famoso biquíni. Bafão…

Minissaia

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Nem precisava, mas a estilista Mary Quant deu mais um toque de revolução aos anos 60 quando passou a mão na tesoura e criou a ousada minissaia. O pedaço de pano de 30cm lançado em meio ao “Terremoto Jovem” causou reboliço entre os conservadores, mas se multiplicou pelos armários das meninas. O sucesso foi tanto que a butique de Mary em Londres, a Bazaar, ganhou mais de 100 filiais e se transformou em símbolo de vanguarda.

Smoking feminino

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Supra-sumo da carreira de Yves Saint Laurent, o famoso terninho – ou “Le Smoking”, como foi chamado o primeiro modelo – foi criado pelo estilista francês em 1966 e transgrediu a forma como as mulheres se vestiam à época. Sinal de liberdade e novos conceitos sobre masculino e feminino, o smoking para mulheres foi apresentado pela primeira vez com uma blusa transparente e calça masculina. Hoje, a peça aparece até em tapetes vermelhos.

Calça para mulheres

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Se Yves Saint Laurent era do clubinho da igualdade dos sexos, Coco Chanel foi quem o fundou. Na década de 20, com sua conhecida queda pela praticidade, a estilista desenhou a primeira calça para mulheres e deu um “chega pra lá” nos longos vestidos e corpetes que dominavam os armários naquele tempo. Inspirado nos marinheiros, o primeiro modelo era largo e ideal para as moças acompanharem seus maridos em dias de cavalgada ou iatismo.

New Look

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No pós-guerra, Christian Dior fez o caminho inverso ao de Chanel e devolveu a feminilidade às mulheres. “Nós saímos de uma época de guerra, de uniformes, de mulheres-soldados, de ombros quadrados e estruturas de boxeador. Eu desenho femmes-fleurs, de ombros doces, bustos suaves e cinturas marcadas (…)”, disse o estilista. Nascia então, em 1947, o New Look, um visual delicado de cintura marcada e saias amplas até o tornozelo. O New Look se estabeleceu como o padrão de glamour dos anos 50 e deu um banho de elegância nas moçoilas.