ALGUÉM PRECISA FALAR DO AMANHÃ

Essa não é a primeira nem a última crise que vamos viver. Elas fazem parte da história e são grandes agentes de mudança. Mas, a que estamos vivendo é muito diferente de todas as outras e os economistas e empresários afirmam que o destino de nosso país nunca esteve tão ameaçado como agora.

Tudo está ruim, temos todos os sinais de um aumento vertiginoso de problemas em todas as áreas. Eles se cruzam de tal forma e em tal velocidade que ninguém ousa fazer projeções ou apontar saídas. Há uma angustia generalizada na dimensão da grande escuridão que a todos amedronta. Anestesia é a palavra que melhor se encaixa na definição de nosso momento.

Tento entender as razões do que ocorre e de forma talvez um pouco irresponsável ouso penetrar no campo da psicologia e da sociologia para opinar. Minha impressão é que depois de dez anos de uma bonança gerada por ventos pródigos vindos de uma conjuntura favorável ficamos com reservas de otimismo que nos impedem de ver o que de fato está ocorrendo – enxergar todos enxergam, mas ver, a ponto de adquirir consciência, poucos veem.

Imagem: reprodução da internet

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Não há uma reação proporcional â dimensão dos problemas existentes. Recessão e inflação avançam numa progressão aterrorizante, mas como cada empresa, família ou pessoa, ainda tem alguma gordura para gastar, todos de alguma forma estão acomodados.

A dor mais profunda ainda não chegou com faltas e necessidades primárias não atendidas e ninguém está disposto a sofrer por antecipação tentando entender o que vai acontecer como consequência da espiral descendente em que o país mergulhou.

Ninguém tem sequer coragem de ligar a sirene de alarme com medo de criar tumulto pois não há plano de contingência e não se sabe para onde apontar e o que orientar.

Houve um momento em que a mudança de governo foi a alternativa pensada, depois não mais, agora sequer se sabe qual tendência. A sensação que se tem é que a própria oposição não dá sinais claros de que quer mudar porque tem dúvida se vai dar conta de desmontar a bomba que aí está e que apesar das muitas dificuldades que estamos vivendo ainda não explodiu.

Essa incerteza e paralisia é extremamente perigosa. As manchetes só falam de problemas de toda natureza. Cada dia um novo, mas sequer uma pequena notícia com uma hipótese de solução. Num país cheio de adivinhadores de todos os tipos há silêncio absoluto.

Eu mesmo não vejo o que se possa fazer. Se você não é política, minha cara leitora, sugiro viver normalmente acompanhando os fatos cuidadosamente para escolher um lado e agir de forma intensa e certa no momento em que houver espaço. A qualquer hora alguém vai assumir responsabilidade e falar do amanhã.

CONHECIMENTOS SOBRE ECONOMIA: UM DIREITO CIDADÃO

Sem noções básicas de economia e política nenhum cidadão consegue entender o mundo em que vive, fazer projetos e tomar decisões. Mas, estranhamente, grande parte da população sabe pouco dessas questões porque os meios de comunicação dão espaço aos economistas ou replicam seus discursos em linguagem que transforma o simples em complexo, promovendo uma indesejável alienação.

Quem não é especialista só consegue absorver as manchetes dos noticiários, o que convenhamos é muito pouco. Por isso aceitei ocupar um espaço semanal no Blog da Chara para ao longo de muitas conversas provar para você, cara leitora, que não é difícil entender os grandes temas nacionais.

Imagem: reprodução da internet

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Minha proposta é traduzir frases e expressões complicadas para que todos tenham consciência de onde estão e para onde vão e formarem opinião sobre o presente e o futuro do país, pelo menos naquilo que impacta diretamente suas vidas. É meu desejo que todos tenham voz e vez na discussão dos grandes problemas da nação, presentes no seu cotidiano e com atuação sobre seu destino.

Poucos cidadãos têm consciência de que quase 40% de tudo que é produzido no país vai para as mãos do governo e por isso não manifestam uma revolta maior em relação à crise em que hoje estão mergulhados, que promete fechar empresas, desempregar e reduzir a qualidade de vida de todos, sem que se saiba de onde ela veio, porque veio, pelas mãos de quem veio e quando e de que forma será expulsa de nossas vidas. Apenas uma minoria tem noção de que paga não só imposto sobre sua renda, mas sobre tudo que consome, desde um quilo de feijão até um carro novo, além de IPTU, IPVA e muitos outros impostos que achacam de forma escamoteada e que nem imaginamos existir. Vivemos num país com uma das mais altas cargas tributárias do mundo e não temos, como contraprestação, serviços de qualidade nem investimentos para uma melhoraria de nossa qualidade de vida.

Cara leitora, você deve estar dando pulos na cadeira para tentar entender porque com tanto dinheiro confiscado da população não somos prósperos, não temos saúde e educação de qualidade e não investimos em pesquisa para pelo menos deixarmos de importar tecnologia – que é o que tem valor no mundo de hoje. Não deve também entender como ainda temos analfabetos e sustentamos famílias e mais famílias que não conseguem sair da miséria, não deve entender porque nossas estradas são ruins, porque não temos saneamento, porque não temos segurança (cada dia pior), porque estamos destruindo nossos recursos naturais e muitas coisas mais.

Temos muito o que conversar daqui para frente para discutir os inúmeros erros históricos cometidos por nossos governantes, erros que se misturam e entrelaçam, unem passado e presente e trazem desesperança.

Imagem: reprodução da internet

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Estamos, cara leitora, numa recessão violenta que nos impõe retrocesso e grande empobrecimento através de uma redução drástica de toda produção do país. Nosso dinheiro sumiu. O comércio não tem para quem vender, está demitindo e comprando menos. A indústria, em conseqüência, também está produzindo menos e demitindo. Com menos trabalho e menos salários, há ainda menos compras, menos impostos e tudo segue numa espiral perversa que não sabemos onde vai parar.

Vivenciamos até bem pouco tempo uma situação internacional favorável, mas gastamos muito e mal. Jogamos dinheiro fora, perdemos nossa grande oportunidade e agora o dinheiro sumiu.

Por um bom tempo fomos favorecidos por um crescimento meteórico da China que fez subir significativamente o preço do ferro, soja e milho, nossos principais produtos de exportação, – e ainda recebemos volumes significativos de recursos de investidores que vieram para cá porque os juros nos lugares mais seguros do mundo estavam baixos e nós apresentávamos sinais de prosperidade e segurança.

Só que o crescimento da China e os preços que nos favoreciam desabaram. Sem a maré favorável, os problemas de gestão do governo tornaram-se inadministráveis e só foram contidos com um grande esforço de represamento para que a crise não chegasse antes das eleições.

Isso nos custou muito caro. As eleições foram vencidas, mas logo logo, as comportas tiveram que ser abertas. Aí nos deparamos com uma crise inimaginável, com um governo sem nenhuma credibilidade, com contas deficitárias, com o fim de financiamentos a juros menores que os de mercado, com o fim da redução de impostos para setores privilegiados e de muitas outras medidas irresponsáveis que estouraram o caixa da nação. Investidores financeiros, assustados com o novo cenário, se dirigiram para mercados mais seguros, mesmo com os juros elevados que o governo passou a oferecer, apesar de explosivos para sua dívida. E para piorar mais, os Investidores de setores produtivos que planejavam ampliar seus negócios ou criar novos, diante da retração de nosso mercado, cancelaram ou postergaram o que estava programado.

Só que o grande problema não termina aí. Com todos produzindo menos, menos impostos passaram a ser arrecadados e as contas do governo se complicaram e continuam se complicando mais a cada dia. Desmoralizado pelas mentiras do período pré-eleitoral e sem nenhum apoio da sociedade e do congresso, o governo está imobilizado e permitindo que a crise se agrave perigosamente. Terminamos o ano sem realizar nenhum investimento e sem sequer pagar os juros de uma dívida que em pouco tempo se tornará impagável, a não ser que medidas duras sejam tomadas em curto prazo.

O que precisa ser feito não é feito. O governo precisa gastar menos e melhor. É preciso acabar com a politização de seus quadros para ter uma máquina pública barata, honesta e eficiente. Não há mais espaço para obter apoio do congresso com barganha de cargos que além de trazer incompetência alimenta uma corrupção desenfreada. O problema é que sem apoio da sociedade o governo que aí está não consegue desvencilhar-se de uma forma perniciosa de governar, que não é nova, mas que foi por ele altamente incrementada.

Imagem: reprodução da internet

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O futuro hoje é uma incógnita porque não se enxerga no horizonte nenhuma liderança com ideias novas e capacidade de mobilizar a população para grandes movimentos e mudanças.

A crise é grande e profunda, mas a solução não está conosco e não temos porque mudar nossas vidas. Eu, por exemplo, vou seguir no mesmo ritmo porque de alguma forma tudo terá que se resolver. Nossas potencialidades são grandes e não há força destruidora que a elas não se curve. Algo de positivo terá que acontecer.

Por hoje fico por aqui e conto com sua audiência na próxima semana quando vou tratar de outros ingredientes que compõem essa nossa tão indesejável crise. Interaja conosco. Comente, compartilhe, pergunte, divulgue para seus amigos.

J. Pose