O FUTURO É MULHER

A inteligência reconhecida de Nizan Guanaes produziu mais um brilhante texto onde usa a experiência de convivência com a sua Donata para justificar as virtudes que identifica e exalta nas mulheres. Eis o texto de Nizan:

“Eu fico escrevendo artigos bancando o corajoso, com clareza, firmeza e discernimento, mas, quando desespero e fraquejo, é ela, com sua força feminina, que diz: releia os seus artigos. Ela é a minha coragem.

Sexo frágil é o homem. E o homem demonstra sua fragilidade quando berra, insulta, parte para a violência. Quando não tem a força dos argumentos, apela para o argumento da força. Muito dos problemas mais graves do mundo vem desse excesso de testosterona, essa energia masculina que tudo quer resolver com a força.

Isso me convence de que o futuro é feminino. O mundo tradicional é masculino. O futuro e as empresas líquidas do futuro são femininos. Sou um dos fundadores do Women in the World porque acredito que o desenvolvimento da mulher é o caminho mais rápido para o desenvolvimento do mundo. E a situação da mulher no mundo ainda é de absoluto desrespeito.

A força bruta é masculina. A negociação e a sedução são femininas. A razão é masculina. O sexto sentido, a premonição e a inovação são femininas.

Meu amigo Gilberto Gil, que além de um grande homem é também uma grande mulher, canta isso lindamente quando diz na canção “Super-Homem”: “Um dia, vivi a ilusão de que ser homem bastaria, que o mundo masculino tudo me daria do que eu quisesse ter”. E arremata: “Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória, mudando como um Deus o curso da história, por causa da mulher”.

Minha mulher mudou o curso da minha história. Pegou uma pessoa arrogante, autocentrada e bruta e me alfabetizou na gentileza e na felicidade. Ela me ensinou a saborear cada dia.

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Vê-la em sua vida profissional me ensinou a liderar, em vez de mandar. Donata me ensinou a fundamental arte de ouvir. As pessoas dizem que ela mudou meu guarda-roupa. Mudou muito mais. Mudou minha vida e minha carreira.

Com ela, também aprendi que não preciso ser escravo de certezas. Que posso ter dúvidas, que não preciso ter medo de ter medo, de errar, de ser frágil, inseguro. É bom poder caminhar pela vida sem ter tantos “é preciso” nas costas e nas veias.

A frase de que por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher é em parte verdadeira. Porque ela está do lado. Ou à frente.

Sam Walton, nos primórdios do Walmart, levava os gerentes para jantar em sua casa para serem entrevistados pela mulher. O doutor Olavo Setubal, na hora de escolher a marca do Itaú, hoje a mais valiosa do Brasil, mostrou os estudos da logomarca para dona Tide Setubal, sua mulher, decidir. Roosevelt teve Eleanor. Churchill teve Clementine. FHC teve dona Ruth. O grande homem, em geral, é um casal.

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Neste momento difícil no Brasil, em que um ano dramático desponta no horizonte, conto com a força da Donata para ser fraco; com seu colo, para desabar; com sua alegria e sua inteligência, para prosseguir; com seu sexto sentido, para encontrar sentido quando tudo parecer sem sentido.”

Caras leitoras, eu bato palmas para o Nizan. Mais uma vez ele está certo.

UM CAMINHO DE EQUILÍBRIO E CONSTRUÇÃO

Caras leitoras,

Desde que lançamos o blog passamos a receber alguns artigos como contribuição para serem publicados. Dentre eles recebemos um, que não subscrevemos, mas que decidimos dar forma e publicar com o intuito de provocar as nossas queridas leitoras para avaliação e manifestação.

Achamos interessante ouvir o que vocês pensam e a ideia é abrir espaço para um debate em nosso blog . O artigo que transcrevemos a seguir é de autoria de uma pessoa que conhecemos, negra, na aparência sem preconceito de qualquer natureza e com bom preparo intelectual (o que não significa que sempre opine de forma acertada).

Não avaliamos e opinamos para não influenciar, mas por favor, leiam e opinem.

“Há duas ou três semanas atrás vi uma afirmação neste espaço que o momento de lutas já passou. Hoje peço vênia para concordar e reforçar a.convicção de que, realmente, a guerra está ultrapassada. Rejeição e intolerância estão superadas e qualquer comportamento em contrário é fato isolado que precisa ser desprezado para não reabrir discussões e reacender fogo apagado.

Volto hoje à questão porque tomei conhecimento de grande polêmica envolvendo uma música do axé baiano que enaltece a forma como um grupo de mulheres faz mudanças em seu físico para se sentirem mais atraentes e com uma beleza maior. A polêmica foi de tal ordem que para ser contida, a letra da música teve que ser alterada, pedidos de desculpas tiveram que ser apresentados e, mesmo assim, os reclamantes ainda não ficaram totalmente satisfeitos. Achei tudo muito estranho, exagerado, fora de tom, mas o que mais mexeu comigo foi o grande espaço que o assunto ocupou na mídia num momento em que tanta coisa relevante impacta a ameaça o destino de toda sociedade.

Imagem: reprodução da internet

Imagem: reprodução da internet

Não deveria dar muita importância ao fato, mas como defensor ferrenho de minorias, subjugados e segregados não consegui deixar de me sentir afetado. Julguei e achei a reação das mulheres que se sentiram ofendidas um grande erro. O mesmo grupo musical crucificado, há alguns anos fez uma outra música de grande sucesso tratando de caraterísticas físicas de raça de forma ainda mais explícita, mas perceptivelmente, sem qualquer propósito redutivo, assim como agora.

Não há como não admitir que cada raça tem características físicas diferentes e que mal existe em falar delas desde que não haja objetivo de avaliar. Se tudo é colocado sem o objetivo de qualificar, sem afirmar que nada é maior ou melhor, só diferente, qual o problema?

Negros e brancos, homens e mulheres são seres humanos com os mesmos direitos. Isso hoje está aceito pela quase totalidade da sociedade e é questão vencida. Entretanto, por vezes, os que muito lutaram para acabar com as diferenças e ainda não se libertaram da adrenalina da guerra continuam beligerantes. Por isso, acho que os conscientes, não contaminados pelos grandes embates já travados, precisam atuar como moderadores para que diferenças de raça e sexo possam ser tratadas com naturalidade, o que não significa deixar de fiscalizar ações que possam significar um retrocesso o que, particularmente, acho agora pouco provável.

Sou fã de Jô Soares e gravo todos seus programas para assisti-los em melhores horários. É uma inteligência privilegiada, embora, muitas vezes, abuse dela e se perca em excessos assumindo um pouco de vaidade e prepotência. Mas o nosso Jô com sua visão amplificada e profunda é um grande crítico dos excessos de que falo e não se conforma com o que chamam de politicamente correto que é mais discriminatório do que atos tácitos de discriminação.

Esse é o ponto que coloco à reflexão. É preciso muito cuidado com o que os mais radicais apontam como problema. O cerceamento de manifestações puras e de boa fé traz antipatia às melhores causas.

É preciso consciência do momento. É preciso acreditar que a vitória definitiva só vira através de muito equilíbrio e construção. Os que foram cerceados e derrubaram barreiras têm que entender que o exército adversário está destruído e a missão agora é ocupar territórios, é convencer os parceiros a fazer o mesmo com muito entusiasmo, é multiplicar a consciência de que não há mais barreiras mas apenas uma forte demanda de ações de conquista.

Prezadas mulheres, não gastem energia com esforços de beligerância. Tenham equilíbrio e dediquem-se, mais que nunca, ao exercício disciplinado de permanentes construções. “

 

EMPODERAMENTO FEMININO

Imagem: reprodução da internet

Imagem: reprodução da internet

Um blog de uma grife feminina, criada e dirigida por uma mulher, não poderia deixar esse tema fora de sua pauta.

A luta pela conquista de espaço pelas mulheres é antiga, mas a expressão é nova. Pouco a pouco aparece na mídia, mas só ganhou força em 2014 no desfile da Chanel – e só poderia ser ela, sempre a provocar e revolucionar

A partir daí, não só a moda, mas também a internet, estão ajudando a propagar essa importante mensagem transmitida em duas palavras poderosas.

O Empoderamento Feminino não é uma causa de uma pessoa, empresa ou organização, porque não tem dono ou dona. É uma bandeira que abriga tudo que podemos fazer para fortalecer mais mulheres e desenvolver a igualdade de gêneros em todos os ambientes onde a mulher é minoria.

Nossa contribuição à causa está na prática dentro de nossa empresa com uma mulher na direção e uma mesa diretora com 50% de mulheres, mesmo percentual que se verifica no quadro geral de colaboradores.

O momento não é mais de Queima de Sutiãs como ocorreu em 1968 durante o Miss América. Essa fase está superada. Hoje já é possível, uma grife feminina como a nossa, falar da mulher real, de menos vaidade e mais “ feliz consigo mesma”, uma mulher com universo ilimitado, com todas as possibilidades de escolhas e decisão.

Há tempos atrás era inimaginável a realidade de hoje. Temos um e-commerce totalmente dirigido para mulheres que nele fazem escolhas, compras e pagamentos. Num passado não muito remoto não existia sequer essa pequena autonomia e os homens até definiam o que suas mulheres deviam vestir.

Mas ainda há muito o que fazer, sem privilégios, apenas com competência e determinação. É preciso agir, conquistar, ter obsessão, porque virtudes nos sobram. A questão se resume hoje a foco. Por isso, semanalmente, teremos um post sobre nossa bandeira para manter viva a consciência de que a luta não pode parar.